CHAPADA DIAMANTINA


Histórico

O Parna foi criado em 1985 para a preservação das belezas cênicas do local. A área foi inicialmente habitada por indígenas Maracás. A ocupação humana remonta ao período do auge da exploração de jazidas e minérios, no início do século 18, quando foi encontrado ouro próximo ao Rio de Contas Pequeno. O ano de 1710 marca o início da chegada dos bandeirantes e exploradores. Em 1844, a colonização foi impulsionada pela descoberta de diamantes valiosos no Rio Mucugê, fazendo com que comerciantes, colonos, jesuítas e estrangeiros vivessem em vilas.

A Chapada Diamantina foi tendo seu povoamento gradativamente marcado por grandes fazendas e comunidades quilombolas. A exploração do ouro perdurou por quase um século. Com o declínio da extração de ouro, iniciou-se um novo ciclo com a exploração de diamantes que durou quase 30 anos, entrando em decadência em 1870. A região passou a ser chamada de Chapada Diamantina em alusão à abundância do mineral e à sua formação geológica.

Ainda no século 20, entre 1980 e 1996, a economia da região foi reaquecida com a extração mecanizada de diamante, tendo esta atividade sido proibida em seguida com a criação do Parque Nacional da Chapada Diamantina.


Localização

A Chapada Diamantina localiza-se na parte central do estado da Bahia a 425 km de Salvador e a 1.135 km do Distrito Federal. O Parna faz limite com os municípios de Lençóis, Andaraí, Itaetê, Mucugê, Ibicoara e Palmeiras.


Atrações

Cachoeira da Fumaça: é um dos principais atrativos da Chapada Diamantina com 360 metros de altura e uma das maiores quedas d’água do país. A Fumaça fica localizada no Vale do Capão e o seu acesso é feito a pé em uma trilha por cima de 6 km, dos quais 2 km de subida. Se feita por baixo, a trilha é de 20 km.

Cachoeira do Buracão: com 85 metros de altura, o Buracão é considerado uma das cachoeiras mais belas da região. A cachoeira se situa em um cânion emoldurado por pedras folhadas e na trilha realizada à margem do rio. O Buracão fica localizado no município de Ibicoara e o acesso pode ser feito a pé em 3 km de trilha.

Morro do Pai Inácio: com 1.120 metros de altitude, este é o ícone da região com uma vista panorâmica. O morro fica localizado no município de Palmeiras, às margens da BR-242 e seu acesso pode ser feito a pé em uma trilha curta e íngreme com um tempo médio de 25 minutos de caminhada.

Gruta da Torrinha: esta é uma das cavernas do Brasil com maior diversidade de espeleotemas – formações rochosas típicas de interior de caverna, como estalactites e estalagmites. A gruta localiza-se no município de Iraquara e seu acesso pode ser feito a pé em uma trilha de 1.600 metros na caverna.

Gruta da Lapa Doce: uma caverna ampla que possui grande quantidade de formações como estalactites e estalagmites. Localizada no município de Iraquara, a sua travessia tem 850 metros.

Pratinha: é um rio com águas cristalinas que atravessa uma gruta. Localiza-se no município de Iraquara e o acesso pode ser feito de carro. – Poço Azul: é uma gruta com águas cristalinas em que o azul vivo da água resulta da iluminação dos raios solares. No poço é permitido nadar. A gruta localiza-se no município de Nova Redenção e o acesso pode ser feito de carro e mais uma escadaria até o atrativo.

Poço Encantado: o poço com águas cristalinas possui 60 metros de profundidade e não é permitido nadar. A melhor época para visitar o poço compreende os meses de abril a setembro, devido ao reflexo da luz solar. O poço localiza-se no município de Itaetê e o acesso pode ser feito de carro e mais uma escadaria até o atrativo.

Marimbus: este é considerado o pantanal do semi-árido baiano com águas calmas e flores aquáticas. O passeio é feito de canoa ou caiaque e recomendado para família. Existem duas opções diferentes de passeios: uma saindo de Andaraí e a outra de Lençóis.

Por Andaraí, o trajeto inicia a partir do km 45,5 da BA-142 (referência: Banca Torta, quiosque de caldo de cana, que também dá informações sobre o passeio. Tel: 75 3335-2210).

Já por Lençóis, o acesso é realizado de carro até a comunidade quilombola do Remanso. Nessa opção, após o percurso pelo rio, é realizada uma caminhada até o Rio Roncador.

Ribeirão do Meio: situado no leito do Rio Ribeirão, a 3,5 km de Lençóis. É de fácil acesso para quem está na cidade. O Ribeirão é um grande poço com um tobogã natural, ideal para nadar. Esse passeio também pode ser combinado com a Cachoeira do Sossego. Fica localizado no município de Lençóis e o acesso pode ser feito a pé com 3,5 km de trilha.

Rio Mucugezinho e Poço do Diabo: o Rio Mucugezinho forma diversos poços e tem como um dos destaques a cachoeira do Poço do Diabo, de 20 metros de queda, e o seu poço profundo, ideal para nadar e praticar tirolesa ou rapel. Fica localizado no município de Lençóis e o acesso pode ser feito a pé. Nas margens da BR-242 há uma trilha de 5 minutos até o Rio Mucugezinho, e mais uma trilha de 20 minutos até o Poço do Diabo.


Aspectos naturais

A Chapada Diamantina é um reduto de belezas naturais com mais de 50 tipos de orquídeas, bromélias e trepadeiras, além de espécies animais raras, como o tamanduá-bandeira, tatu-canastra, porco-espinho, gatos selvagens, capivaras e inúmeros tipos de pássaros e cobras.

O Parque Nacional da Chapada Diamantina, criado na década de 80, atua como um protetor desta exuberância. O Parna abriga um cenário montanhoso com grande variedade de ecossistemas como Cerrado, Mata Atlântica, Campos rupestres e Caatinga. Os morros mais conhecidos têm altitudes médias de 1.450 metros e se espalham pelos municípios de Palmeiras, Lençóis e Mucugê como: o monte Tabor, Calumbi, o Pai Inácio e o Morro Branco do Paty.

O parque possui inúmeras nascentes que brotam por entre os paredões rochosos e mais de 35 rios, como o Paraguaçu, o Rio de Contas e o rio Preto.

A Chapada Diamantina ainda resguarda um relevante banco genético para a pesquisa científica e conservação da biodiversidade. A cada ano, pelo menos quatro ou cinco novas espécies de plantas endêmicas e três espécies de animais são descobertas na região.


Relevo e clima

É uma região composta por rochas sedimentares que se depositaram entre 1,7 e 0,7 bilhões de anos atrás. As rochas da Chapada Diamantina fazem parte da unidade geológica conhecida como Supergrupo Espinhaço, pois integra a Serra do Espinhaço, no estado de Minas Gerais.

O relevo se apresenta como um altiplano extenso, de altitude média entre 800 e 1.200 metros acima do nível do mar. As serras que compõem a Chapada Diamantina abrangem uma área aproximada de 38.000 km² e são divisoras de águas entre a Bacia do Rio São Francisco e os rios que deságuam no oceano Atlântico, como o Rio de Contas e o Paraguaçu. Nesta cadeia de serras são encontrados os picos mais altos da Bahia, sendo o Pico do Barbado com 2.033 metros.

A Chapada é o berço de metade dos rios que banham o estado da Bahia, tendo como o seu principal o Paraguaçu, fundamental para a vida no semi-árido baiano.

O clima varia de acordo com a altitude. Em municípios como Piatã, que possui o pico mais alto do nordeste brasileiro, e Mucugê, as temperaturas atingem até 10ºC no inverno. Já os municípios de Lençóis e Palmeiras recebem a maior parte das chuvas entre os meses de fevereiro a junho e podem registrar baixas temperaturas durante a noite. Mesmo no inverno, o sol domina e as temperaturas são em torno de 25ºC a 30ºC.


Fauna e flora

A vegetação predominante da Chapada é conhecida como campo rupestre que, em geral, é mais rasteira. Nele é possível encontrar mais de 100 tipos de orquídeas, inúmeras bromélias, cactos, begônias, trepadeiras e sempre-vivas.

A variedade de animais também é imensa, principalmente as aves, que são mais de 250 espécies.O beija-flor-gravatinha-vermelha é endêmico na Chapada Diamantina e habita áreas superiores a 1.000 metros de altitude. Nas matas chapadenses também vivem o tamanduá bandeira, o macaco prego, a jaguatirica, periquitos, papagaios, capivaras e pequenos lagartos. A Chapada abriga desde os pequenos roedores conhecidos como mocós até exemplares de grandes mamíferos ameaçados de extinção, como a onça-pintada e a suçuarana.